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COMIDA RASTREADA

Produtores rurais empregam tecnologia para apresentar detalhes dos alimentos

Conheça o caso do senhor Antônio Chiquito, primeiro produtor de MS a empregar a rastreabilidade vegetal

05 novembro 2019 - 16h02Por Wesley Alexandre*

Se algo mudou na rotina da produção, bem como nas relações de trabalho nas zonas rurais com a cidade, certamente tem a ver com o advento da tecnologia. O produtor rural parou de ser associado desfavorável às novidades tecnológicas, ao mesmo tempo que a sociedade em geral começa a perceber os benefícios desse avanço no processo de produção.

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Dados do último censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado no dia 25 de outubro, apontam que o uso de tecnologia no campo, cresceu na última década, o que levou a um aumento significativo de produtividade em diversas áreas da agropecuária e uma ligação cada vez maior com a cidade.

Drones que monitoram pastagens, melhoramento genético, maquinário, aplicativos de última geração e agora rastreamento de produtos vegetais, possibilitando ao consumidor identificar o produto, sua origem e os caminhos que percorreu até chegar em sua mesa.

Esse sistema, denominado como rastreabilidade vegetal, entrou em vigor em agosto deste ano e já é obrigatório para quem produz vegetais frescos, como alface, tomate, abóbora, uva, dando maior transparência aos processos de produção e logística. 


Dilvulgação/CNA

(Uma das alternativas no processo de produção á comercialização/Divulgação CNA)

A regulamentação que está sendo realizada por meio da Instrução Normativa número 2 do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), estabeleceram um sistema de rastreabilidade para auxiliar monitoramento e o controle de resíduos de defensivos agrícolas na cadeia produtiva de vegetais, destinados à alimentação humana. Com isso, acredita-se que possa garantir maior segurança à sociedade quanto ao consumo. 

A identificação pode ser realizada por meio de etiquetas impressas com caracteres alfanuméricos, código de barras, QR Code, ou qualquer outro sistema que permita identificar os produtos de forma única e precisa.  A rastreabilidade permite não somente apontar a origem do produto, mas também mostrar o caminho que ele percorreu, incluindo todos os processos a que foi submetido.

Por ser uma demanda nova a exigência da aplicação da rastreabilidade foi dividida por grupos de culturas e por etapas gradativas até agosto de 2021, conforme a tabela abaixo:


(Todos que produzem, manuseiam e comercializam frutas e hortaliças, devem ficar atento aos prazos/Divulgação MAPA)

Em Mato Grosso do Sul o processo é acompanhado pela SEMAGRO (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), por meio da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural). 

De acordo com o gerente de desenvolvimento agrário e abastecimento da agência, Araquem Ibrahim, já está em andamento algumas ações para auxiliar os produtores.

“Primeiramente identificamos os produtores para sabermos como foram cultivados os alimentos. Com isso, é possível dar segurança quanto ao consumo de vegetais frescos e responsabilizar quem fizer uso incorreto de defensivos. O Governo do Estado, por meio da Agraer e Iagro, realiza ações de capacitação e orientação aos seus técnicos e aos produtores rurais atendidos, por meio da Assistência Técnica e Extensão Rural”, destaca o gerente da Agraer.

“Além do Governo do Estado, estamos trabalhando com as centrais de comercialização e abastecimento como o CEASA MS, cooperativas de produtores de hortaliças e frutas, sistema S como Senar e Sebrae, prefeituras e associações de varejistas”, completa Ibrahim.

Na região da capital sul-mato-grossense, os produtores rurais contam com o auxílio do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG). Uma das primeiras propriedades a se adequar à nova regra no Estado foi a Estância Chiquito, com o rastreamento na produção de tomate grape e mini morangas, a propriedade escolheu o código QR para identificar seus produtos.

“Estamos nos adequando à lei e fiz em parceria com o Sindicato como experiência para depois ser levado a demais produtores. É uma regra válida, porque a rastreabilidade dá mais confiança para o produto e esperamos agregar valor a ele. Eu já fazia as anotações de produção e sobre o uso de defensivo, então essa é uma adequação, para repassar ao público consumidor todos os processos. E ainda esperamos um retorno financeiro”, explica Antônio Chiquito.

(Irmãos Chiquitos, foram os primeiros produtores do Estado a se adequarem a nova normativa/Foto: Agro Agência)

O diretor do SRCG, Alexandre Junqueira, afirma que uma das alternativas para o produtor se adequar é procurar o sindicato, onde receberá as devidas orientações. Também é preciso o registro do uso de todos os defensivos agrícolas e de todo o processo produtivo. 

“O produtor precisa estar atento às regras, mas a rastreabilidade vem para atender a necessidade do consumidor final de credibilidade e que também exige qualidade”, afirma o diretor.

Em alguns estabelecimentos já é possível encontrar os produtos com a nova embalagem de rastreamento, de acordo com a consumidora e funcionária pública, Alessandra Oliveira,  a nova regra pode ser uma ótima alternativa para deixar os consumidores mais tranquilo na hora da compra.

“É importante porque traz uma segurança e um alivio, a gente escuta várias coisas que dá até um certo medo de comprar. Então tendo alguém monitorando todo o processo, nos traz mais tranquilidade, além de termos a possibilidade e a facilidade de saber todas informações antes de levar para casa”, destacou Alessandra.

Uma ferramenta digital foi desenvolvida pelo Instituto CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), para ajudar os produtores de frutas e hortaliças a atender a Normativa do MAPA. O sistema AgriTrace Rastreabilidade Vegetal permite que o produtor, por meio da internet, insira seus dados pessoais, a localização da propriedade, os produtos comercializados, quantidade, numeração do lote, informações do comprador, informações sobre o plantio, data, colheita, talhão plantado, insumos utilizados, tratos culturais realizados, entre outras informações.

De acordo com o secretário de política agrícola da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares), Antoninho Rovaris, a proposta agrega valor ao produto, contribui e aumenta a segurança e o controle de qualidade dos alimentos produzidos.

“Vai nos permitir identificar e rastrear a origem de produtos contaminados ou fora do padrão de qualidade, melhorar as informações sobre toda a cadeia produtiva, entre outros benefícios”, disse o secretário em nota divulgada para imprensa.

(No Brasil, a determinação da rastreabilidade está valendo desde agosto, o SRCG vem auxiliando os produtores rurais na região da capital sul-mato-grossense)

Fiscalização

As atividades de fiscalização do novo sistema são complementares entre o Ministério da Agricultura e a Vigilância Sanitária. Do produtor até o comércio, a responsabilidade será do Ministério da Agricultura por meio do PNCRC – Vegetal (Programa Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal). Do comércio ao consumidor, a fiscalização será feita pelos Serviços de Vigilância Sanitária Estadual e Municipal, no âmbito do PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos). O descumprimento da legislação é passível de punições, as consequências variam entre: advertências, multas, suspensão de vendas e interdições. As penalidades estão previstas na Lei nº. 6.437, de 20 de agosto de 1977, e na Lei nº 9.972, de 25 de maio de 2000.

Rastreabilidade em outros setores

O processo de rastreabilidade não é uma novidade, alguns setores já utilizam o sistema. Na pecuária, por exemplo, o rastreamento hoje é indispensável e se tornou um case de sucesso, na indústria florestal, selos de sustentabilidade garantem a utilização de madeiras de florestas plantadas em combate ao desmatamento. 

“É um privilégio para nós, produtores rurais, identificar por meio de QR code na gondola do supermercado, produtos que saíram da nossa fazenda, ou mesmo das fazendas vizinhas. Acredito que contribui diretamente para o processo de valorização do produtor rural e na forma como o urbano nos enxerga”, relata o presidente do SRCG, Alessandro Coelho, que é pecuarista.

Em países da Europa e da Ásia a rastreabilidade da produção de alguns segmentos é obrigatória. Nos Estados Unidos, o sistema é utilizado há mais de 80 anos.

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(O sistema de rastreabilidade já acontece em outros setores, como na pecuaria/ Divulgação Walmart)


*Texto: Wesley Alexandre/Estudante de Jornalismo
 

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