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MERCADO DO BOI

Importação de gado vivo do Paraguai preocupa criadores de MS

Presidente do Sindicato Rural de Campo Grande diz que solução é temerária e pode prejudicar pecuaristas brasileiros

08 fevereiro 2021 - 17h29Por Agência Rural*

O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, se pronunciou nesta segunda-feira (8) discordando sobre a importação de gado do país vizinho, Paraguai, pelas indústrias frigoríficas sul-mato-grossenses, que confirmam a falta de animais locais para abate.

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Sinalizando o tema como uma pauta delicada, o presidente confirma que compreende a situação dos frigoríficos e suas necessidades, mas que o tema precisa de cautela. “Trata-se de uma questão a ser pensada e analisada, tendo em vista que por várias vezes os pecuaristas de Mato Grosso do Sul foram prejudicados pelas altas dos preços no Paraguai e, nunca ocorreu exportação de gado para o Paraguai, quando houve falta de oferta no país vizinho”, esclarece.

“A indústria paraguaia conseguiu superar os problemas, quando houve queda no rebanho do outro lado da fronteira. Entendemos a situação das indústrias de MS, sabemos das dificuldades e insuficiência de produto, tendo em vista que além de não ter boi pronto e acabado, também temos problemas logísticos nesta época do ano, de estradas, isso acaba prejudicando o escoamento da produção e a chegada de insumos para acabamento deste gado. Acreditamos, como pecuarista, que a solução é temerária e que pode vir a prejudicar, o futuro os pecuaristas do Mato Grosso do Sul”, pontua Alessandro Coelho.

O presidente destaca, ainda, que os custos de produção da pecuária do Paraguai são bem inferiores aos praticados no Brasil, o que gera uma concorrência injusta. “Uma abertura de mercado nesses moldes, pode acarretar desestímulo ao pecuaristas sul-mato-grossenses, tanto econômico, como social. Sem citar que isso impactaria a produção, da mesma forma como ocorreu com a produção de arroz no estado, que já foi referência na cultura e atualmente importa a maior parte do que consome”, alerta.

Alessandro Coelho, Presidente do Sindicato Rural de Campo Grande

“Gostaríamos muito que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, analisasse com bastante precaução esta situação, avaliando os pontos, sob o risco de, em um curto prazo, haver pressão por parte da oferta do país vizinho dentro do nosso país, podendo causar prejuízos à atividade no Estado, que passou por severas crises nos últimos anos”, conclui o presidente do Sindicado.

A diretoria do SRCG acompanha de perto os desdobramentos da situação e se preocupa tanto com a falta de animais para abate, mas, principalmente, com os riscos mercadológicos que a importação de gado paraguaio pode representar à curto e médio prazo.

Entenda o caso da importação de gado vivo do Paraguai

As especulações sobre o interesse da gigante JBS em comprar boi gordo do país vizinho se intensificaram nas últimas semanas. Parece assunto novo, mas, a verdade é que a notícia ganhou destaque da mídia no fim de 2019, quando a companhia teria manifestado interesse em buscar boi vivo do Paraguai. Afinal, estaria a empresa pronta para negociar gado do outro lado da porteira?

Agência Rural foi em busca de respostas e constatou, por meio de fontes ligadas ao setor de carnes, que há mesmo o interesse da indústria em importar gado do Paraguai. Segundo apuração, os animais entrariam pela fronteira com Mato Grosso do Sul e seriam abatidos no estado de São Paulo. A justificativa para a transação seria a pouca oferta de gado pronto para abate no mercado brasileiro. Coincidências à parte, o assunto volta às rodas de bate-papo no momento em que a arroba do boi gordo rompe a barreira dos R$ 300,00 em SP.

Em Mato Grosso do Sul, a Superintendência Federal de Agricultura, confirmou que a JBS teria dado entrada nos papéis há cerca de um ano. A SFA informou, também, que a parte sanitária, da qual faz parte o processo, estaria em ordem. Por outro lado, falta a liberação de documentos importantes, como o protocolo de intenções, assinado pelos dois países. Em outras palavras, Brasil e Paraguai precisam avaliar as vantagens e a viabilidade do negócio, antes de baterem o martelo. 

Em nota, enviada no dia 2 de fevereiro à Agência Rural, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou que a importação de gado do Paraguai para o Brasil ainda não está autorizada. O tema, segundo a assesoria de comunicação do órgão, vem sendo tratado entre os Ministérios da Agricultura dos dois países. De acordo com o Mapa, não há informação de autorização específica para uma empresa. Por fim, a nota esclarece que "caso os entendimentos entre os ministérios do Brasil e do Paraguai venham a viabilizar a autorização de importação, o documento valerá para qualquer empresa que cumpra os requisitos sanitários estabelecidos".

A produção da Agência Rural entrou em contato com a assessoria de comunicação da JBS para falar sobre o interesse na importação de gado, mas, foi informada que a companhia não comenta o assunto.

*Fonte: Agência Rural, com informações de Diego Silva/Agro Agência

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