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COLUNA

Agro Finanças

Fabiano Simões

O uso das proteções financeiras “Hedge” no agro - Uma visão prática

22 abril 2019 - 21h28

As estratégias de proteção de preços tem sido muito difundidas recentemente entre os produtores, consumidores e intermediários do setor pecuário e agrícola do país. Algumas corretoras de valores desenvolvem estratégias para produtores e compradores das commodities. No entanto, a parte prática continua sendo o principal desafio às partes. De uma forma mais intensa ao produtor, que pela natureza de sua atuação, se concentra muito mais para o produto do que para o controle de preço desses produtos.

É evidente, que o conhecimento sobre o funcionamento do mercado financeiro - onde as operações são realizadas - sua segurança e o perfil dos operadores são os principais obstáculos a serem superados. Ultrapassar essa barreira significa abrir as portas para que o produtor possa se utilizar efetivamente desta ferramenta. Ela auxilia no controle, mesmo que mínimo, quando são compradas opções de venda para garantir o preço de custo de produção das commodities.

Quando se fala sobre o funcionamento do mercado é importante dizer que os intermediários - que são em sua maioria corretoras de valores - são instituições especializadas na comercialização dos contratos futuros e estes, por sua vez, são contratos que possuem padronização e vencimentos definidos. Para ter acesso aos contratos ou opções de compra ou venda (CALL e PUT) desses contratos é necessário possuir conta ou cadastro nessas corretoras e estar habilitado junto à BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) para emitir as ordens.

O valor necessário varia juntamente com o preço das opções (seguro) alvo da proteção. Quanto mais alto o preço a ser travado, mais custosa será a opção, valor aplicável por arroba ou por saca, no caso dos grãos. Interessante observar que os consumidores das commodities, as captadoras de grãos, a indústria processadora, ou frigoríficos, se utilizam das opções que protegem da alta dos preços.

O mercado financeiro, nestes casos, realiza um importante papel que é o de conter tanto os preços em baixa aos produtores, quanto os preços em alta aos consumidores. Ambos os lados possuindo o mesmo acesso às ferramentas de proteção. Abaixo um exemplo de operação para compradores de milho:

Em termos de risco, todas a corretoras habilitadas pela BM&F são instituições financeiras fiscalizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Banco Central. A habilitação das contas de produtores ou consumidores de commodities é feita no próprio CPF ou CNPJ daquele que irá se utilizar das ferramentas do mercado. Ademais, os sistemas de controle de risco existentes na BM&F garantem que sempre haverá contraparte nas operações fechadas. Processo que nos últimos anos tornou-se cada vez mais seguro dado que todos os sistemas de gestão de risco são hoje automatizados.

O desenvolvimento do mercado de commodities brasileiro, tanto em técnicas avançadas de produção quanto do mercado financeiro em si, tem demonstrado um excelente potencial à utilização das operações de “hedge” e seu entendimento pelas partes envolvidas. Esta será uma importante contribuição para que cada vez mais safras de grãos e engorda de bovinos tenham seus riscos reduzidos, uma vez que o preço dos produtos agrega mais variáveis em seu cálculo.

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